“Se desejas vencer o mundo inteiro, vence a ti mesmo.”(Dostoiévski)

“O segredo da existência humana não está apenas em viver, mas também em encontrar algo pelo qual viver. E para cada um, esse algo parece estar sempre à frente, como um alvo. Avançar em direção a ele, superar os próprios limites, lutar contra as fraquezas e medos, tentar ser melhor, ainda que só um pouco, a cada dia: eis o verdadeiro triunfo.”
(Paráfrase inspirada em Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov)

(dedicado à Turma MM Band 6472)

Nas mesas de cafés pelo mundo, conversas sobre conquistas soam cotidianas e ao mesmo tempo eternas. Há quem pense em grandes feitos, títulos e medalhas; há quem celebre pequenas vitórias silenciosas, que raramente brilham aos olhos alheios, mas aquecem discretamente o coração. Afinal, o que é conquistar? É vencer o outro, ou superar a si mesmo? É obter reconhecimento ou encontrar sentido para continuar tentando?

Na perspectiva cristã, a resposta parece repousar menos na glória pública e mais na transformação interior. Lembrando as palavras de São Paulo:

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”
(2a. Carta de São Paulo a Timóteo 4:7)

Conquistar, assim, é atravessar o cotidiano — com suas dores, alegrias, quedas e recomeços — sem perder a esperança. Cada manhã nos convida, como o aroma do café recém-passado, a um renovado esforço para não desistir de crescer. E às vezes nossa maior vitória é simplesmente não sucumbir ao cansaço, é manter a fé mesmo quando tudo parece escuro.

É curioso como, na literatura clássica, muitas vezes as maiores jornadas não são épicas batalhas, mas discretos combates internos. Em “Dom Quixote de la Mancha” de Cervantes, depois de desafiar moinhos que só ele via como monstros, nos faz perceber que, em cada um de nós, há batalhas silenciosas sendo travadas todos os dias — contra dúvidas, medos, hábitos antigos. Somos todos, à nossa maneira, cavaleiros de pequenas grandes conquistas.

Importa lembrar, no entanto, que cada vitória precisa ser celebrada — e nenhum café deveria ser tomado sem ao menos um brinde discreto às conquistas do dia. Talvez mais importante que vencer seja reconhecer o quão longe já viemos. Como disse Fernando Pessoa:

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
(Fernando Pessoa, Mensagem)

Nem toda conquista precisa ser grandiosa. Aprender a pedir desculpas primeiro; levantar cedo para buscar um sonho; resistir à tentação de guardar rancores; confiar de novo; ajudar sem esperar retorno; ou apenas enfrentar aquele dia difícil que teimava em não acabar. São essas pequenas vitórias que, somadas, dão sentido ao cotidiano e escrevem páginas de esperança em nossa história.

Por fim, busquemos inspiração não apenas na força interior, mas também na promessa bíblica de que, mesmo nos momentos de fracasso, não estamos sozinhos:

“Acaso não te ordenei que sejas forte e corajoso? Não tenhas medo, não te acovardes, pois o Senhor, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás.”
(Josué 1:9)

A cada xícara de café tomada em boa companhia ou na silenciosa solidão das manhãs, lembre-se: nenhuma conquista é pequena demais para ser celebrada. Que possamos, juntos, reconhecer o valor do caminho, agradecer pelas batalhas vencidas e seguir, sempre, com fé e coragem renovadas.

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Referências
  1. DOSTOIÉVSKI, Fiódor.
    Os Irmãos Karamazov..
    • Citação original: “Se desejas vencer o mundo inteiro, vence a ti mesmo.”
    • Paráfrase inspirada: “O segredo da existência humana não está apenas em viver, mas também em encontrar algo pelo qual viver…”
  2. BÍBLIA SAGRADA.
    • “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”
      (2 Timóteo 4:7. Novo Testamento.)
    • “Acaso não te ordenei que sejas forte e corajoso? Não tenhas medo, não te acovardes, pois o Senhor, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás.”
      (Josué 1:9. Antigo Testamento.)
  3. CERVANTES, Miguel de.
    Dom Quixote de la Mancha.
    • Referência para a menção sobre “batalhas internas” e a metáfora dos moinhos de vento.
  4. PESSOA, Fernando.
    Mensagem.
    • Citação: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
      (Poema “Mar Português”.)
  5. Imagem do artigo:
    A Coroação de Napoleão (Le Sacre de Napoléon), 1807 de Jacques-Louis David, em exposição no Museu do Louvre, Paris, França

Observação: A paráfrase sobre “o segredo da existência humana” é uma adaptação livre, inspirada em reflexões encontradas em Os Irmãos Karamazov, por isso requer a designação “paráfrase inspirada”, não literal.